Turma da Mônica - Laços

Resenha: Turma da Mônica – Laços

Fiquei quase uma hora olhando a tela pensando em como começar essa resenha. É muito difícil explicar ou sintetizar uma obra que te traz sentimentos tão íntimos e remotos, que você nem se lembrava mais. Turma da Mônica – Laços te arrebata, com a nostalgia doce da infância brasileira e dos filmes de aventura da Sessão da Tarde.

Nossos distintos amigos se veem em uma situação complicada: Floquinho, cachorro de Cebolinha, desapareceu. Após longas buscas de seu pai, Cebolinha não encontra forças nem para comer, mas a amizade serve para lhe lembrar da força e do talento natural que o menino tem para elaborar estratégias. Portanto, com o apoio de Mônica, Magali e Cascão, Cebolinha sai numa jornada pela cidade, determinado a só voltar com o cachorro nos braços.

Primeiramente, é importante ressaltar que esta não é uma obra qualquer da Turma da Mônica. Em comemoração pelos 50 anos da turminha, a Maurício de Sousa Produções lançou uma coletânea feita por cinquenta artistas (a MSP 50), dentre os quais 4 foram escolhidos para elaborar graphic novels isoladas. Assim, ano passado tivemos “Astronauta Magnetar”, do Danilo Beyruth, e esse ano temos “Chico Bento Pavor Espaciar”, do Gustavo Duarte, e Laços, dos irmãos Victor e Lu Cafaggi. Ao que parece ainda podemos esperar por uma do Piteco, “Ingá”, que será feita pelo Shiko.

Não é só por isso que “Laços” se diferencia de qualquer outra história da Turma da Mônica que você já leu. Não bastasse o estilo artístico de encher os olhos, a forma como eles colocam cada quadro, cada expressão dos personagens, nos aproxima dos sentimentos deles de uma forma muito particular. Isso porque cada adulto da nossa geração tem, mesmo que mínima, uma história de amor com Cebolinha, Cascão, Mônica e Magali. O arranjo gráfico é potencializado pela infância de cada um, e o roteiro nos dá referências claras de um passado presente nas brincadeiras de rua, chegando a lembrar por vezes Os Goonies. Os leitores voltam a ser crianças e se veem nas mesmas aventuras que os conhecidos personagens.

Essa cena quase me fez chorar como criança (N.T)

A atenção que Victor e Lu deram à passagem dos quadros e cenas foi, depois do traço, o que mais me chamou atenção nessa história. Cada movimento e momento de cada um dos personagens e do ambiente é representada sem pressa, com gradação fisionômica. Uma das cenas mais lindas com relação à isso é a que Cascão desafia o Cebolinha à criar um plano para procurar o Floquinho. O rosto triste e desacreditado do amigo é renovado ao longo de quatro quadros em que ele olha para o Cascão e busca no amigo a inspiração e coragem para encontrar seu cachorro. E sem fala alguma!

O desenho é tão vivo e maravilhoso que, acreditem ou não, eu consegui imaginar como seria a voz da Mônica dessa história – seria algo parecido com a Vanellope de Detona Ralph. Alucinações a parte, os irmãos Cafaggi conseguiram captar toda a essência dos personagens originais de Maurício de Sousa, amplificando suas características sem parecer forçado ou expositivo. Além disso, o valor da amizade toma vida própria, e não só porque as crianças se aventuraram num parque misterioso atrás de Floquinho. Isso fica muito claro no final, quando aparecem as lembranças de como os quatro se conheceram, ainda bebês. Aliás, quando se trata de lembrança, o desenho toma uma textura e colorização diferente, em tons sépia. Os personagens bebês ficaram tão fofinhos, e o Cascão tem um black sensacional como cabelo!

A atenção e o carinho com os quais Victor e Lu fizeram essa obra é o que a torna uma história para se ler e reler. O cuidado em usar as roupas da época para determinadas cenas, a preocupação em equilibrar o número de vezes em que cada um dos personagens principais aparece, a ideia de procura saber qual foi a cor da roupa que eles apareceram na primeira publicação dos personagens para retratá-los enquanto bebês, enfim. O trabalho acurado dos dois resultou na melhor história da Turma da Mônica que eu já li, e certamente numa das melhores que você vai ler.

Laços está disponível em capa cartonada (R$ 19,90) e capa dura (R$ 29,90).

[Editado – Sorteio Relâmpago]

Um dos 5 primeiros a comentarem suas HQs favoritas da Turma da Mônica, explicando o porquê, leva uma Laços capa dura. Só precisa comentar usando o Facebook, para facilitar a nossa vida. O sorteio acontece hoje ainda, então fiquem ligados.

[Atualizado – 12/10]

Parabéns, Carol Cardoso! A escolha dos “Beatles Bidus” foi realmente muito boa.

Obrigado a todos que participaram, todas foram ótimas escolhas. Quem sabe nós não repetimos a dose com “Pavor Espaciar” na próxima semana, hein? Feliz Dia das Crianças.

Equipe Nerd Revollution

Post originalmente publicado no dia 12 de outubro de 2013.

7 pensamentos sobre “Resenha: Turma da Mônica – Laços

  1. Uma HQ que eu gostei muito é a “Plano Sangrento”, edição muito antiga, onde os meninos usavam Ketchup para enganar a Mônica.

    Gostei por lembrar que foi a primeira vez que a Mônica foi perseguida por seus atos violentos, hahaha
    .

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  2. Minhas histórias preferidas são “Os Bídus”, que é uma paródia dos Beatles com o Bidu e os amigos dele, é hilária.
    Gosto da história de aniversário no gibi de 50 anos do Cebolinha, eles vão pro sítio do pai do Xaveco, e acontece de tudo, mas no fim era só o planejamento pra festa dele.

    Tem muitas histórias mesmo que eu gosto, mas não lembro o nome…

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  3. Um dos quadrinhos da Turma da Mõnica que mais me marcou foi no qual eles contam a história de A Bela Adormecida. Pela linda da Magali.
    Quando a bruxa diz que a Mônica vai furar o dedo na roca quando fizer 15 anos, a Magali manda a melhor de todos os tempos:

    – Bruxa burra, nunca leu nossos quadrinhos. Não sabe que não passamos dos 7 anos!!!

    Ou seja, Magali é a mais foda e esse quadrinho é ótimo (:

    Mas de verdade mesmo, eu gostava muito das tirinhas curtas. Pegava todas as edições nas bancas e lia só o final. Donos de banca, me odeiem 8D

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  4. não lembro o titulo,mas nunca esqueço de uma em que o cebolinha usava uma sombra da mãe dele para fazer o olho roxo”de que apanhou nele e no cascão, ai a monica ficava com pena e não batia..
    em determinado ponto da história a sombra ficava verde e a monica desesperada.
    gosto pq é muito genial a sacada do cebolinha,perceber que a monica não batia enquanto ele ainda tinha hematomas e usar maquiagem para fingir isso.

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  5. Po eu gosto muito de umas das ultimas q eu tenho aqui em casa “Guitarrero” do Cebolinha e Cascão tentando jogar Guita Hero na casa do Xaveco.Tudo da errado😄
    Gosto de outras mas não lembro o nome T-T
    Tipo aquela q o Cascão descobre sobre o Planeta Tomba

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