Crítica: Para Roma, Com Amor – por Lucas Fratini

A neurose está de volta! E com ela toda a magia de um dos maiores cineastas de todos os tempos, o diretor, roteirista e também ator Woody Allen. Dando continuidade a sua turnê europeia após o inspiradíssimo Meia Noite em Paris, dessa vez escolhe Roma como musa para provar que os ares europeus só ajudaram a aflorar ainda mais sua criatividade. Assim confirma sua ótima fase através do divertido Para Roma, com Amor.
O filme permuta entre quatro núcleos diferentes, sendo o acaso e Roma os elementos comuns. Seja contando sobre o adultério em um jovem casal apaixonado, a nostalgia dos amores improváveis, o choque cultural entre a paranoia americana e a espontaneidade italiana, ou a vida (extra)ordinária; todas são histórias curiosas, que prendem facilmente o espectador com suas incríveis reviravoltas e desfechos.
Como já era de se esperar, humor é o acorde dissonante de toda a obra. O maestro nova-iorquino conduz os contos fragmentados com indiscutível perfeição e humor, ao emendar uma piada na outra, colocando seus personagens em situações extremas, conduzidas pela sorte ou azar. Logo, não deixa se quer a plateia se recuperar de sua última nota para tocar novamente, criando um ciclo sem fim de suspiros e gargalhadas.
Além disso, é emocionante poder revê-lo como parte atuante de sua orquestra. Após seis anos atrás das câmeras, Woody volta a atuar e brincar com sua própria condição de dinossauro no que faz, com tiradas envolvendo aposentadoria e a morte. Apesar do tempo, seu timing ainda é invejável e seu jeito rabugento de observar a vida continua sendo a principal fonte de toda a magia, a qual compõe aquele toque único que o consagrou ao longo de seus quase cinquenta anos de carreira em constante renovação.

No entanto, ele não está sozinho, mas acompanhado por um elenco absolutamente fantástico. Seria injusto destacar apenas um, quando todos estão excelentes e confortáveis em seus papéis, escolhidos a dedo para destacar a qualidade principal de cada um. É justamente pela sedução de Penélope Cruz, alegria de Benigni, agilidade de Eisenberg e ingenuidade de Mastronardi que o filme flui tão bem, como uma valsa tocada pelos melhores músicos do momento.
Ademais, a homenagem de Woody vai além das extremamente lindas locações, de ruínas e fontes. O maestro cria composições inteligentes somando do vermelho forte, de um carro ou vestido, ao verde intenso da vegetação e branco da luz matinal, para montar uma fotografia tricolore, referência direta à bandeira italiana. Outro detalhe interessante é o uso do italiano, montando um filme bilíngue, uma vez que, quando os personagens falam sua língua natal as histórias ganham ainda mais veracidade e naturalidade, apesar de absurdas.
To Rome, With Love é um Woody Allen de primeira, ou seja, um engraçado ensaio sobre a falta de sentido na vida; iluminada pela beleza de uma cidade que exala história e regada de diversão com suas situações fantásticas. “A aposentadoria é sinônimo de morte para você”, evidencia a fala de um dos personagens, e tomara que ela custe ainda mais para chegar, pois quem lucra somos nós, que não paramos de sorrir.
Autor: @morratentando
Publicado em julho 3, 2012, em Cinema, Coluna do Fratini e marcado como crítica, Filmes, Woody Allen. Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.


parece ótimo mesmo, do Woddy Allen não se pode esperar menos
Guilherme, acabo de voltar do cinema, fui revê-lo, dessa vez sem meu bloquinho e em ótima companhia. Só tenho a reafirmar todos os meus elogios e ainda gostaria de acrescentar mais alguns; é absolutamente fantástico.
Abraços,
Lucas Fratini
Sei que peco IMENSAMENTE ao dizer isso, mas nunca vi um filme do Woody Allen e, portanto, mereço sofrer rsrs.
Mas, depois desta crítica, já sei por onde começar \o/
OBS: Não assisti aos vários filmes dele porque os melhores/mais conhecidos são de quando eu era muito novo e não tinha essa apreciação todoa que tenho pelo cinema nesta última década. Não vale perdão, mas pode diminuir minha pena XD
Abração galera!
É, Shaka, precisamos rever nossa parceria… hahaha. Muitas vezes a pessoa já assistiu a um filme do Woody Allen e não sabe, visto que ele não atua em todos seus filmes. Esse talvez seja um ótimo começo pois segue bem o estilo que o consagrou.
Aguardo sua opinião quando conseguir ver!
Abraços,
Lucas Fratini